terça-feira, outubro 31, 2017

Dia Mundial da Poupança - Mentalidadezinha



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Ali atrás na TV oiço vários peritos em poupança a explicar aos portugueses como é que um português que ganha 1.000 euros deve fazer uma folha de receitas e despesas, usando uma folha de papel e uma esferográfica ou usando o “Excel”. Aí deve-se registar as receitas (ou seja o que ganha) e s despesas (ou seja o que gasta). E não se deve esquecer de registar 35% para poupança (ou seja 350 euros). Procurei ser literal.

A coisa depois passa para uma escola (parei de trabalhar e olhei para trás) onde algumas professoras dissertam sobre este princípio de poupança, numa linguagem mais acessível, já que se trata de crianças entre seis e oito anos. E entre várias explicações às criancinhas de como devem acautelar o seu futuro, poupando, uma professora enceta o seguinte diálogo, com uma menininha amorosa:

Menininha: Sô professora, eu ontem engoli um euro. Acha que me vai fazer mal?

Professora: Não, minha querida, os políticos comem muitos e não lhes faz mal nenhum.

Não sei bem o que chamar a este exemplo de indigência. Nas vinhas há uma praga chamada filoxera, conhecida por se alimentar exclusivamente da madeira das videiras e das fêmeas serem ápteras (sem asas) e se reproduzirem assexuadamente. Entre nós há evidentes semelhanças. Não temos asas (excepto as vacas do Costa) e a nossa madeira alimentar assenta exclusivamente num atavismo congénito com os resultados que se conhece. Por enquanto ainda não nos reproduzimos assexuadamente, mas para lá caminhamos.

O resultado é o aparecimento gradual, mas firme, de uma sociedade estereotipada no ódio e desprezo por uma classe social. Quando era pequenino ensinavam-nos a odiar os polícias. Hoje, começamos de pepino torcido a odiar os políticos.

Verdade seja dita que tantos os polícias como os políticos têm bastas razões para ser odiados, mas a culpa é de todos nós em geral. Porque com este tipo de educação os polícias se foram tornando cada vez maiis brutos e os políticos comem, impunemente, cada vez mais euros. E nós continuamos, alegremente, a ser cada vez mais estúpidos. Não que não alimentemos esta dinâmica educacional ao longo dos anos.


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