segunda-feira, novembro 14, 2016

Irresponsabilidade



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Tenho uma vaga desconfiança que António Domingues ainda não bateu com a porta porque entende, provavelmente bem, que a aceitação do cargo de presidente da CGD o obrigou a determinadas medidas da sua vida pessoal que não se conformam com a abdicação do cargo. Assim sendo, provavelmente achará que deverá se indemnizado.

Este silêncio de Costa e Centeno e do próprio Domingues presta-se a congeminações desta natureza, mas custa-me a crer que um quadro como Domingues não terá uma razão forte para manter esta situação em banho-maria até que o governo se descosa e eventualmente cumpra aquilo a que se comprometeu.

O que não é aceitável é o arrastamento desta situação e a progressiva e gradual degradação da CGD e correspondente delapidação de capital, tal como ainda hoje já a imprensa noticia a fuga de milhares de milhões de euros dos tais 1,3% de grandes depositantes acima de €100.000.

Esta situação seria impensável noutras circunstâncias e, pela parte que me diz respeito como anónimo cidadão e que nem sequer tem €100.000 na CGD, começo a achar que a culpa já nem é do governo, apesar do governo ser totalmente irresponsável e andar a brincar às legislaturas progressistas. A culpa é das pessoas que aceitam tudo, tal como se estivessem a ser sodomizadas e pedir desculpa por estar de costas (expressão que uso algumas vezes e me parece ilustrar bem a situação). E é de Passos Coelho (agora, sim, de Passos Coelho) que ainda não conseguiu fazer duas ou três simples perguntas a Costa. Perguntas simples a exigir respostas simples. O que é que, afinal, Centeno, ou Costa ou ambos prometeram a Domingues para ele aceitar o lugar? Finalmente, a culpa começa a ser de Marcelo, também. Rouba um bocadinho de tempo às selfies, beijinhos e engraxadelas de sapatos e toma uma decisão. Não sei bem qual… mas lembro-me de como o purista Sampaio pôs Santana Lopes no olho da rua. Parece que Santana dormia sestas e houve um ministro qualquer que se demitiu e Sampaio embirrou. E vejo agora esta salgalhada em que a geringonça nos meteu, com a agravante de que tudo isto nos vai custar muito dinheiro. Dinheiro que não temos, mas que Costa acha que é fácil ir buscar ao BCE e que o Pedro qualquer coisa, aquele de barbicha que se senta ao lado dele, acha que não pagamos, porque não temos nada que pagar.


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