domingo, agosto 31, 2008

Insegurança


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Sufoco, sob a torrente de medidas em curso para combater a criminalidade. Dificilmente este tipo de fenómeno terá paralelo em qualquer outro país da Europa, quiçá do mundo. Pelo menos na forma e intensidade como o fazemos. É a televisão, a rádio, os jornais, quase não se fala de outra coisa senão nas medidas do governo para lidar com a presente “onda de assaltos”. Se por um lado alguns órgãos de comunicação social aproveitam a dinâmica instalada e a usam como mero instrumento de aumentar tiragens, por outro o governo lança-se na mais descarada campanha de propaganda, coisa em que, aliás, é perito. Já um outro segmento da nossa população, exercita infindáveis prédicas sobre a situação actual, discutindo as causas, as circunstâncias e outras intrincadas vertentes que subjazem no turbilhão. Seja através de entrevistas e ou comentários na televisão, seja através de artigos de opinião.

Independentemente da inutilidade de todo este bruáá, que provará ser inútil e estulto dentro de pouco tempo, os assaltos sucedem-se e as vítimas continuam a ser grosseiramente desprezadas ou ignoradas em favor do folclore que acima referi. E isso é mau. Para as vítimas, primeiro, para todos nós, depois, que continuamos sujeitos a uma situação em que criminosos se encontram em roda-livre (e á solta) e em que provamos ter muito mais jeito para a oratória e um conjunto de tolices geradas pela realidade política. Já para não referir que me parece ser claro que a actual insegurança não é um fenómeno que tenha eclodido de repente. Mas antes o resultado de políticas continuadas e assentes num conjunto de tolices politicamente correctas provindas de luminárias que se entretiveram durante os últimos anos a achar que havíamos de dar lições ao mundo sobre a forma de lidar, cientificamente, com os criminosos.

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