terça-feira, setembro 20, 2016

Nunca dela tanto de falou



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Nunca se falou tanto de Mariana Mortágua. Acho até que se fala hoje mais dela do que quando o pai assaltava bancos, ourivesarias, transatlânticos onde morreu gente a tiro e outras malandrices do género. Eu, que sou sexista e gosto de mulheres bonitas, acho que o facto da miúda ser bonitinha, ter uma pele, aparentemente, imaculada e uma sensualidade capaz de derreter o mais sisudo, julgo que isso poderá ter ajudado. Provavelmente nem ela terá pensado vir a ser tão falada. Talvez porque pensou que as coisas são assim como ela diz. Ou como pensa, se pensa. Porque pode dar-se o caso de ela não pensar no sentido estrito da coisa. E aja em conformidade com o seu mecanismo genético e com a cartilha que o progenitor lhe terá inculcado a martelo E se assim for, há que lhe dar o desconto e, sobretudo, não lhe dar tanta trela. É que não se calam. É Mariana isto, Mariana aquilo. Repito. A miúda é um apetite mas convenhamos que depois de abrir a boca pouco ou nada se aproveita. E mesmo o pouco aproveitável deverá ser demasiadamente específico e claramente diminuído pelas asneiras que diz.


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quinta-feira, setembro 15, 2016

A festa, a festança e a Constança que ri



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A geringonça vestiu a roupa da Constança e fez da abertura do ano lectivo a respectiva festança. Para além da parolice de fazer de qualquer acto normal uma festa, que é o que a geringonça vem fazendo, o que me leva a suspeitar que aquela gente precisa mesmo de ajuda profissional.

Infelizmente, e falo pela área da minha residência, a escola pública não deve ser da malta, porque não salta ao ritmo da festança. Nem mesmo com as gracinhas do malcriado Costa quando diz piadas que metem pokémons. E não salta porque pelo menos em duas das escolas, os pais foram hoje avisados (avisados, sim) pela directora de agrupamento (que eu não sei bem o que é, mas deve ser uma pessoa que manda num grupo de escolas) e a chefe de turma (que deve ser uma professora que manda numa turma, no meu tempo era um de nós que o fazia, mas ou as exigências subiram ou a competência dos alunos baixou...) de que a alimentação ia ser má e pouca, porque a situação, como todos devemos saber, está má, há pouco dinheiro e as dificuldades são muitas. Algumas das disciplinas ainda não têm professoras mas devem estar ai a rebentar. E, finalmente, pede-se aos pais que instilem nas crianças um sólido sentido de compreensão pela situação, mas as dificuldades estão aí e temos de saber lidar com elas.

Que me conste ninguém disse que a culpa era de Passos Coelho, mas fica a esperança de que ainda venham a dizer e que à festança da geringonça Constança chegue um raio de sensatez que, pelo menos, pare com esta cena degradante de fazer de tudo uma festa, mesmo quando a situação é aviltante. Como este exemplo de se avisar que a comida vai ser pouca e imprestável.

Hoje, a festa tem a ver com a saúde, acho que faz anos. A saúde. E é assim que o conselho de ministros vai dizer as vacuidades do costume e os repórteres vão noticiar imenso o grandioso acontecimento. Já começaram, porque o Costa apareceu ali com o sempiterno sorriso que prenuncia os grandes (e os pequenos) acontecimentos.


Sinto-me afogado no meio esta gente.


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Alberto Gonçalves em serviço público





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Ano após ano, um bando de teor totalitário reúne os fiéis. Os fiéis comem, bebem, vestem referências a assassinos, agitam símbolos medonhos, ouvem a música e os sermões dos parceiros de fé, conspiram contra a democracia e, em suma, divertem-se a imaginar maneiras de arrasar o nosso mundo. Se isto acontecesse entre 30 skinheads numa garagem do Cacém, a PJ andaria alerta e o povo inquieto. Como acontece entre milhares de comunistas numa quinta do Seixal, a PJ não liga e o País, um certo país, acha o exercício simpático.

O Alberto Gonçalves, aqui.

Atrevo-me a acrescentar um detalhe e, por isso, peço ao Alberto Gonçalves que me desculpe. É a panache que envolve uma deslocação à “Festa”. Tornou-se moda e um estranho símbolo de pluralidade, passando por cima do essencial. E o essencial é exactamente o que Alberto Gonçalves refere em cima. E se Marcelo a visita e as pessoas acham imensa graça, porque a Marcelo tudo é permitido, já uma vasta colecção de jornalistas e músicos produz uma alegoria estranha sobre uma festa que canta os amanhãs que se sabe e ressuma uma estranha simpatia por gente pouco recomendável. Para além de um somatório de práticas ilegais ou o à-vontade que demonstram em abjurar a homossexualidade, por exemplo. Apenas para citar alguns.


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sábado, setembro 10, 2016

Fiquei mais esclarecido



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Fiquei, finamente, formado na história, origens e causas da guerra da Síria. Eu não sabia lá muito bem, mas cheguei a casa, liguei a tv, estava na SicN, e depois de ouvir aquele separador a dizer, em versão de rap tuga, para eu não ser xenófobo, nem racista e a perguntar se fosse comigo, ouvi uma senhora a explicar-me, ao que parece a propósito do acordo de tréguas assinado com a Rússia e os EEUU, que em 2011 vieram uns rebeldes (a senhora não disse rebeldes, disse outra coisa qualquer…) para a rua protestar pacificamente. Mas, pacificamente, repetiu ela. Foi então que Bashar al-Assad dispersou os manifestantes à lei da bala (SIC, eu seja ceguinho).

“Prontes”, eis a história da guerra na Síria. O pão está por um preço que não se pode, as farinhas também, os hospitais não têm medicamentos e já morreram cerca de 300.000 pessoas. Tudo isto porque Bashar al-Assad resolveu dispersar os manifestantes (pacíficos) à lei da bala.

Cá para mim, o Passos Coelho também deve ter tido culpas, mas passou-se-lhes.


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domingo, setembro 04, 2016

Faltava esta...



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A esquerda não pára quieta. Nem perde uma. De repente faz uma série de descobertas sobre Madre Teresa de Calcutá e aí vai disto. Veste uma T- Shirt do Che, faz uma oração (silenciosa, em respeito pela sua laicidade) por Chávez e pela defunta (?) FARC, manda uns vivas aos remanescentes Maduro, Morales, Castros e Jungs e vem para as redes sociais gritar aqui d’El Rei que Teresa não tinha nada que ser beatificada e muito menos canonizada.

Do que li por aí ainda fiquei à espera que Teresa tivesse tido um romance adúltero com um patrício que tivesse encontrado na selva, um caso com um padre que lhe tivesse aparecido debaixo duma Baniane e, sob a fresca folhagem da árvore, tivesse dado uma pecaminosa queca avulso, enquanto puxava uma passa. Que tivesse mandado umas chapadas num puto. Que tivesse roubado uma treta qualquer ou, em última análise, que tivesse soltado umas imprecações e invocado o santo nome de Deus em vão… sei lá, um pecado qualquer que toldasse a sua candidatura a santa. Nada disso, o mais grave que consegui ler por aí e traduzo livremente, foi  «…o que realmente surpreende na beatificação de uma mulher que adoptou para si própria um estilo de “Mother” Teresa é a rendição abjecta de parte da igreja às forças do “showbiz”, superstição e populismo…».

Está explicado. Vistas bem as coisas, a beatificação nem é verdadeiramente culpa de Madre Teresa. A culpa é da igreja, abjecta e rendida à volúpia das superstições, populismo, etc., etc., que servem para manter os povos no estádio atávico da ignorância. A igreja não vai ao ponto de usar estes subterfúgios para ensinar os seus crentes a cortar cabeças, explodi-las em ligação de explosivos em série ou atirar homossexuais dum prédio qualquer ou roubar crianças para parir guerrilheiros, mas que quer manter as pessoas, de uma forma abjecta, na ignorância, ai lá isso quer.

E é isto. Que não me confundam com a defesa da bondade da religiosidade exacerbada das massas, mas que esta atitude revolta da esquerda bem pensante me irrita, ai isso irrita. E tive tempo ainda para ler esta pérola (poupem-me a tradução que já estou a gastar muito tempo com o assunto): « The rich world has a poor conscience, and many people liked to alleviate their own unease by sending money to a woman who seemed like an activist for "the poorest of the poor." People do not like to admit that they have been gulled or conned, so a vested interest in the myth was permitted to arise, and a lazy media never bothered to ask any follow-up questions»

Cai o pano, despe-se a camisa do Che e vai tudo ao banho. E aguardar por outra cena qualquer. Enquanto Teresa, malquista e exprobrada, se torna santa e a Esquerda se esquece do assunto.


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sábado, setembro 03, 2016

Já cansa...



Gente furiosa tolda o raciocínio


[5440]

Se não existissem outras razões, o pudor deveria chegar para gente ilustre nos círculos ilustres da nossa ilustre paróquia parasse de se chatear com PPC. Um homem sério que não trouxe resgates, não foi preso, não é malcriado e tentou genuinamente contribuir para o saneamento de Portugal. Materialmente e no campo do prestígio internacional, matéria absolutamente necessária ao investimento estrangeiro. Mas não. Passos está sozinho, Passos é um catastrofista, Passos vai perder as eleições, Passos é o responsável pela alegada letargia do PSD, Passos isto, Passos aquilo, Passos tem mau hálito e fungos nas unhas dos pés.

Diariamente se assiste a este complot de "boas" e sábias vontades, quiçá para trazer Rio à ribalta, sem que eu perceba bem porquê. Afinal, Passos já foi primeiro-ministro e ganhou até umas eleições, ainda que usurpadas pelo chico-esperto de serviço. Diz-se mesmo abertamente que essa seria a vontade de Marcelo e eu não quero acreditar que Marcelo pensa assim, apenas porque Passos disse uma vez que não gostaria que o PSD tivesse um catavento como candidato à Presidência. Se Marcelo não é superior a este desiderato, deveria sê-lo, quanto mais não fosse por dever institucional. Em vez de manifestar abertamente um secreto desejo de trazer a estabilidade a Portugal por via de um consenso entre o PSD e o PS. Sem Passos, claro. Mas com Costa. E pergunta-se. Mas Costa, porquê? O que tem Costa que o recomende como líder preferencial de um Partido esboroado e sangrado dos quadros que realmente representavam o PS original? Pelo contrário, Costa afirma a cada minuto a sua incompetência, má índole e objectiva contribuição para um Portugal pior. Ninguém nos atura já e não entra um Euro de investimento estrangeiro. Quer-me parecer que, no fundo, é isso que as Blocas e o PC querem, E Costa, consciente ou inconscientemente, mas sempre alegremente, com aquele sorriso alarve e permanente que ostenta, de funerais a casamentos, colabora activamente no trágico roteiro que percorremos.

Desta vez é Pacheco Pereira, no Público. Outro que não dorme bem por causa de Passos e sonha com o dia em que o PSD o expulse do Partido.

Nota: Ler a Helena Matos aqui.


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quarta-feira, agosto 31, 2016

Faz hoje exactamente um ano...



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Faz hoje exactamente um ano... A caminho da bóia 3 Norte. Lá, onde a água é tépida, as marés são mesmo vivas e o xaréu abunda, os golfinhos chegam ao barco sem precisar de se constituir atracção turística, o atum se agrupa em cardumes vorazes e dizimam as pobres cavalas que se atravessam ao caminho, provocando um mar de espuma branca enquanto são freneticamente comidas e os seus restos aproveitados pelas gaivotas e albatrozes que sobrevoam o local, com avidez e deleite. Onde os serras circulam com à-vontade, seguidos pelas palmetas coquetes, onde os whaoos surgem, de supetão, não respeitando o limite de velocidade, as barracudas se acoitam nos fundos esperando pelo ocaso para virem à superfície comer e onde os veleiros se prestam a manobras esteticamente admiráveis sempre que saltam da superfície para executar saltos que fariam corar de embaraço os mais apetrechados artistas de circo.

É... num cenário destes, quem não salta, não é da malta. Pena que pela parte que me toca só episodicamente tenha acesso a este refrigério da alma para nos fazer esquecer o burburinho mental em que aqui vivemos, perante a desordem que nos foi imposta por um governo que nos faz arrepiar só de nos referirmos a ele. E que a desgraça para que nos (re)encaminha tarda em chegar para que dele reste não mais que uma recordação descartável da sua reles existência.

O FB recordou-me este episódio. E eu vi de imediato o azul do Índico e, juro, até uma firme e vagarosa barbatana dorsal que denunciava, de imediato, não ser de golfinho, mas de um Zambezi, um Mako, um Rugged tooth, um Tigre, um Martelo ou um abundante Grey Shark a avisar-nos que não valia a pena pescar ali porque ele já tinha comido e afugentado tudo. A não ser que o quiséssemos pescar a ele primeiro. Uma coisa que não se faz. Faz-se enquanto somos iniciados, para a fotografia. Depois deixamo-los em paz.

O Sequeira, o Pignatelli e respectivas mulheres foram anfitriões de luxo nesta minha visita curta a Moçambique. Um grande abraço para eles.





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sexta-feira, agosto 26, 2016

Gente com opinião tem sempre razão

[5438]

Torna-se-me cada vez mais espinhoso perceber os desígnios da nossa comunicação social. Oscilo ente uma campanha especialmente gizada para manter os níveis do politicamente correcto em boa medida ou, simplesmente, começo a convencer-me que os seus agentes são maioritária e firmemente estúpidos.

Estou a trabalhar e oiço uma torrente de comentários sobre o tal burkini. Abstenho-me de fazer as minhas próprias considerações sobre a questão, tanto mais que até há pouco tempo atrás ninguém falava no assunto (porque o assunto não existia) e, sobretudo, porque me impressiona a dificuldade ou negação de muitas pessoas em perceber que o tal do burkini, mais do que o exercício de uma liberdade que as burkineiras não têm na terra delas, constitui claramente uma ferramenta provocatória. Por isso, repito, não vou entrar em considerandos sobre um assunto idiota. E que as pessoas se lembrem de que tanto direito têm as muçulmanas de se vestirem como quiserem (ou os homens as obrigarem), na terra delas, como os franceses têm o direito de proibir o que lhes apetecer na terra deles.

Voltando à TV, estou a trabalhar e tenho em ruído de fundo, repito, uma torrente de gente indignada com os franceses e produzindo os mais disparatados argumentos sobre a matéria, desde a liberdade das mulheres ao exemplo das freiras, passando pelo respeito dos símbolos religiosos e tradicionais de cada qual. Um coro de indignados, curiosamente mais mulheres que homens, de gente que provavelmente há pouco tempo atrás berrava contra os cruxifixos nas escolas. À função colaborava a apresentadora da TV, quiçá mais indignada que os ouvintes, ao mesmo tempo que anunciava a opinião de um “especialista” na matéria, nos intervalos dos telefonemas.

E assim vai o mundo (o português). Uma plêiade de gente justa, que preza a liberdade e com um espírito solidário que lhe vem das entranhas. E, ainda, com uma notável clarividência sobre os mais delicados e momentosos problemas do planeta. Foi assim com Timor, é com Angola, com a invasão do Iraque, a cimeira dos Açores e com Guantánamo, entre outros. Que não usem a mesma clarividência para tratarem dos seus próprios problemas e ratifiquem coisas estranhas como uma geringonça governante já são outros quinhentos.


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